Amateurs (palavrinha 29)

O sete esconde o oito

Mosaico, raiz
Pena que flutua no ar
Partícula de areia e poeira
Lembranças de outros tempos
Que vêm das águas do mar

Vêm do céu, vêm do ar
Vêm do fogo, vêm do éter
A quintessência que abre portais
Guardiã das histórias e dos cristais

Séculos que se abrem
E que se fecham
A água que transborda de outros leitos
E tudo o que eu sou, como sou e o que tenho

Impermanência
Caleidoscópio de emblemas
No peito ressoando brilhante
Como gota de água e diamante

O ser e o todo
A busca e a isca
Estrada e chegada
Memória e vida

Anúncios

Mascatarias #1

Uma vez por mês, vou compartilhar aqui algumas dicas, sugestões, novidades e as boas experiências dignas de um savoir-vivre ~ com muito crème-brûlée (devaneios à parte, ô sobremesa gostosa!).

A quem possa interessar, é claro. =)

Livro:

Cujo, do Stephen King. Ainda estou às voltas com a releitura, mas o legal aqui está sendo a mudança de olhar. Vendo de perto, com lentes de aumento e muita honestidade no coração, Cujo é um livro triste, mas que me deixou mais perto de entender a ‘magia’ de King em encantar tanta gente com a sua flauta durante todos esses anos.

Textos: 

Recomendo a minha crônicaCafé com Nojo‘, o conto da minha mana e meuA flauta de Yun Shun‘, o artigo do meu paiGestão Compartilhada na Educação‘, o poema da minha mãeSantuário“, os poemas e trocadilhos do meu marido e a tese de doutorado da minha tia que virou livro. E olha que não estou indicando ninguém para o cargo de embaixador.

Filme: 

Não ria, mas vou indicarIt could happen to you(em português ‘Atraídos pelo destino’), filme de 1994. A parada é tão anos 90, ingênua, mel com açúcar, que fica impossível não sentir uma nostalgia boa.

Música:

Lembrando o meu feeling gótico dos 14 anos, coloquei para rodar ‘Cassandra’, do Theatre of Tragedy (adoro essa performance ao vivo!) Também ando ouvindo a versão da Rachell Luz com Zeca Baleiro paraÀ flor da pele‘. Que aura de amorzinho! =)

Degustação:

Cappuccino com Nutella e pão assado com patê de berinjela assada (o nome fica bonito, se liga só: ‘caviar d’aubergine’). 

Série:

Hae-Ryung, a historiadora (meus pais me indicaram e estou gostando bastante!)

.  .  .

Por enquanto é só. 🙂 A cada mês, vou tentando dar uma ‘reformulada’ nessas dicas. Aceito sugestões.

 

Fluxo de consciência # 42

done
I’m done!

Ando vivenciando uma constatação antiga, mas que só agora tive a ‘disposição de espírito’ (vamos chamar assim – rs) suficiente para encarar: eu levo as coisas & as pessoas muito a sério. 

Desde criança, tenho essa fixação por operacionalidade, razão e objetividade, o que causou certo rebuliço nas minhas “possessões emocionais” de coração na mão bem ao estilo shelleyniano – contraste e desequilíbrio evidente. 

Sei que parece papo de sabedoria antyga, mas é pura verdade – tão pura quanto as águas do Lago das Cinco Flores ~ se eu bebesse álcool, diria que é tão pura quanto uma caneca de hidromel tradicional: as vontades mudam. Aliás, o próprio tempo muda.

Fico perplexa quando me deparo com a pessoa que sou hoje e com a pessoa que eu era há cinco anos atrás, por exemplo. Cinco anos é um período relativamente pequeno diante da engrenagem do mundo.

Nesse meio tempo, descobri que levo tudo muito a sério. Sou conhecida no meio íntimo como “circunflexa e navy seal”. Pelos deuses do Egito, navy seal??!! Raciocinando atentamente, vi que estava pegando pesado com o mundo e, especialmente, comigo mesma.

Um dos motivos pelo qual estou tão apaixonada pela música Pariah, de um dos homens mais inteligentes e criativos da face da Terra depois dos anos 1960, é justamente a sua conexão com o meu momento. O trecho em que Steven fala sobre o seu cansaço, sua saúde fraca, sua fraqueza mental, e que poderia ficar muito bem com a solidão, sem dramas, mas que saber que sentimentos assim poderiam afligir a pessoa que ele ama – oh, sim, isso seria o inferno. 

É isso. 

Sendo 100% honesta como bebida destilada, o meu jeito sisudão e marcial escondeu, durante muito tempo, a minha necessidade de dar o melhor de mim. Apesar de acreditar que não existe via de mão única (principalmente se tratando de relacionamentos), eu já joguei flores no abismo e as vi cair fundo sem ter qualquer esperança de que o vento as soprasse de volta para mim.

De certa forma, em aspectos importantes da existência, continuarei fazendo isso. Há tarefas que precisam ser levadas muito a sério e acredito que você deve amar a sua missão para que tudo ocorra de uma forma menos asfixiante. Vou continuar seguindo o que acredito.

Mas não tenho a menor paciência para mesquinharias. Não tenho mais tutano nos ossos para intrigas palacianas, conspirações para roubos de coroa, reações às ações de Brutus (até tu?), pessoas que se comportam como noivas em fuga, Calígulas, Neros, Bernardos Guis, Rainhas de Copas, Luís XIVs e para ser árbitra de briguinhas entre Byrons e Keatsx (a propósito, um adendo: Keats, eu continuo escrevendo o meu nome na água, obrigada!)… Chega de Harry Hallers de araque! Para mim, todo esse universo já deu. Faço minhas as últimas palavras de Slash a Axl Rose no tempo em que a banda tinha a pegada que me fez colecionar a discografia:I’m done“.

Não sou de xingar, mas vou abrir uma exceção aqui e agora (perdoem, é a catarse): Cansei, porra!

A vida é um sopro, como dizia o cara que viveu 104 anos, e eu não quero gastar o tempo que me resta de fusível levando “reis nus” a sério.

Back off, can of worms!

Amateurs (palavrinha 28)

Segurando o coração com o segredo da carne

Dissecado, este coração sinaliza
Com as mãos agitadas, chama o seu guia
Segundos fora do tempo
Caixa encantada, as entranhas para fora

O quiromante sibila no ar
As letras sagradas do nome mais secreto
Linhas escorregadias de ferro e cal
Construindo o abrigo mágico, ondas de fogo e caos

Eles riem
Eles riem porque não sabem o que eu sei
Eles riem porque não sentem o que eu sinto
Eles riem porque não veem o que eu vejo
Há algo se movendo lentamente no subsolo

Espinhos cravados como estacas
Dissecados corações
Terra, fogo, água, ar e éter
E o manuscrito das histórias sagradas
Aniquilado, dizimado
Há apenas a lembrança
Dançando na boca do último homem
Você confiaria nela?

Fluxo de consciência # 41

Eu e minha irmã escrevemos um conto hoje. Com o transcorrer dos anos, descobrimos várias afinidades. Entre elas, o gosto pela literatura e fabulário asiático – no meu caso, em especial o japonês e o chinês (minha irmã também é vidrada nas produções sul-coreanas).

Amanhã ou domingo, não sei ao certo, pode ser até terça ou quarta (rs), acertaremos os detalhes finais. Gostei muito de conversar com a Rafa e elaborar essa ideia, não apenas pelo prazer do papo, mas também pela capacidade de investigações que nos suscitou. 

Li ontem uma entrevista com C.J Tudor, autora de ‘O homem de giz’ (que ainda não li), em que ela menciona a década em que passou recebendo recusas das editoras, as comparações com o mestre do terror contemporâneo – nem vou citar o nome, desnecessário – e coisas do gênero. A parte que mais gostei foi quando ela diz que a negativa generalizada fez com que tivesse a certeza absoluta de que era escritora. 

Escrevo há muitos anos. Tem gente que me aborda com boas intenções, outros com a pistola na mão e há aqueles que exalam a maldade de Calígula, perguntando porque não tenho livros físicos em profusão apesar de todo esse tempo e blábláblá. Eu conheço a resposta. Conheço bem. Mas não tenho interesse em abrir as portas do Castelo de Bran assim, de supetão, só porque “eu quero saber por qual razão você não publicou”. Desde criança eu sou assim: para entrar, você precisa ser convidado. E vice-versa.

Antes, certas perguntas me incomodavam. Depois, com as flechas embebidas em veneno de rã dardo venenosa dourada, a nossa conhecida Phyllobates terribilis, eu passei a me machucar. Agora, filha do final dos anos 1980, quase dois anos mais velha do que Johnny Depp quando filmouWhat’s Eating Gilbert Grape(um dos filmes que eu levaria para a ilha deserta do Pacífico que abrigou Emmeline e Richard), me permito sorrir, assim de lado, e balançar a cabeça. E, adivinhem, continuar no mais absoluto silêncio.

Meu pai me perguntou esses dias quando eu comecei a me considerar, de fato, escritora. Ano passado, ele leu todos os meus estudos, artigos, pesquisas e textos acadêmicos e ficou perplexo. Não fazia ideia do que – e como – eu escrevia até então. Tentou ler as  minhas produções ficcionais, mas disse que se sentia em meio à Pedra de Roseta. Tomei como um elogio. rs.

Voltando ao que interessa, ele me fez essa pergunta. Dessa vez, a resposta saiu natural, na ponta da língua: “Em maio do ano passado”. Ele perguntou, de olhos bem abertos, por que somente em maio de 2018, se eu escrevo desde os sete anos de idade.

A resposta também foi rápida e simples: “Porque eu tive certeza absoluta de que é isso o que eu amo fazer. E que um impulso maior me move, para além do mundo externo. É algo meu. De mim para mim. Meu mundo”.

Meu mundo.

Qualquer um de nós, que escreve seja o que for, precisa ter a certeza de que tem algo fantástico nas mãos, coração e mente. Algo que ninguém pode arrancar – só com nossa permissão, é claro. A arte nos proporciona essa descoberta: o nosso mundo. 

Perceber a minha irmã caçula descobrindo o seu próprio mundo e mergulhando nas águas abissais (a-há!!) dessa descoberta me provoca uma felicidade que nem sei medir. Essa vida anda tão plástica, tão artificial, tão montada, que ter o nosso universo pessoal – o nosso ”infinito particular”, que música linda! – é um recurso raro, berilo vermelho, do qual não deveríamos abrir mão.

Ver a última linha do nosso conto de inspiração nipônica finalizada me devolveu a alegria que a dor na cervical tenta arrancar. Ele será publicado on-line, mas essa nem é a questão. O barato todo foi ver como eu e a Rafa ainda sabemos jogar RPG – agora de outro modo e com outros objetivos.

Minha irmã já escreveuA Samurai e o Rouxinol eA despedida da mulher serpente“. Tenho certeza que vem muito mais por aí. ❤

No momento certo, vou falar sobre minha relação com a escrita. 

Fluxo de consciência # 40

De volta à rotina! Na verdade, não sei exatamente quando ela nos deixa de vez. Talvez a sete palmos do chão – ou nem isso. Comecei a produzir de novo, com o mesmo ritmo desde que escolhi o jornalismo como profissão. Ou seja: ainda no curso de Direito. rs.

Algumas resenhas prontas. Ensaios finalizados. Textos que preciso terminar de revisar. Meu ambiente de trabalho ganhou reforço em termos de maquinário e mobiliário, o que me deixa sem qualquer motivo externo para reclamar (shit! – rs.).

Tenho lido com certa regularidade (melhor do que em 2015/2016 e pior do que em todos os anos anteriores) e sigo com a tendência analítica, o que me causa alegrias e dissabores – tudo tem dois lados.

Não há mais espaço para a quantidade de chocolates que procuro (adeus cafeína e serotonina fáceis!) e estou exatamente como na música Rising of the tide (destaque para a segunda estrofe). Um amigo envia de forma constante mensagens sobre musculação e os perigos do leite de vaca (o atual vilão de tudo, ao lado do açúcar). Ouço meu amigo, para esses assuntos, ele é a voz da experiência (junto com mamãe, que entende MUITO sobre micro e macro nutrientes… O_O”). Se rolar um curso ou pós-graduação em segurança alimentar, já sei para quem indicar.

Gosto de discutir as possibilidades de Dark com meu ❤ e minha amiga Maria Valéria. É incrível! Há sempre novas teorias. A última que lancei – vou deixar registrada aqui antes que algum aventureiro apareça: Adam não é Jonas, e sim Bartosz. Só um palpite.

Escrevi um poema – que foi criado para ser uma música – para o meu amigão. Sinto falta dele todos os dias! Fico me perguntando o que ele acharia desse mundo baldio de hoje… Com certeza, gostaria tanto do Spotify quanto eu. E do Netflix também. Talvez curtisse os tablets para desenho, as mesas especiais, Castlevania (ele iria se amarrar!) e outras coisas boas por aí. Mas não teve tempo pra isso! Enfim… Não dá para falar desse assunto. Não mais. Não diretamente. 

O que mais tem alimentado a minha partícula de vida especial – além da leitura – é estar sendo capaz de executar o meu projeto, peça por peça, sozinha, todos os dias. 

Minha vontade de “cronicar” está baixa. É sazonal – assim espero.